Sem mudança de rumos, políticas de Guedes e Bolsonaro destruirão a pesquisa no país

Pesquisa científica corre sérios riscos no governo Bolsonaro

As políticas de austeridade, que há anos vêm sendo implementadas, colocam em risco grave o desenvolvimento da pesquisa e das tecnologias no Brasil. Sobretudo com a aprovação da Emenda Constitucional 95, durante a gestão de Michel Temer, aquela que limita o investimento público nas áreas sociais no limite da inflação, recursos que deveriam ir para

16 de abril de 2019

As políticas de austeridade, que há anos vêm sendo implementadas, colocam em risco grave o desenvolvimento da pesquisa e das tecnologias no Brasil. Sobretudo com a aprovação da Emenda Constitucional 95, durante a gestão de Michel Temer, aquela que limita o investimento público nas áreas sociais no limite da inflação, recursos que deveriam ir para os Ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia acabam destinados a pagar o serviço da dívida pública. Não por outra razão, o Banco Central anunciou, na semana passada, que a rentabilidade dos bancos brasileiros é maior em sete anos (isso para o ano de 2018).

Pois bem. As principais agências de fomento à pesquisa encontram-se em situação dramática. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 2013, possuía um orçamento de 2,9 bilhões. Em 2018, estava em 1,3 bilhão. Já a Coordenação de Desenvolvimento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), em 2015, contava com um orçamento de 9,1 bilhões. Em 2018, apresentava 3,4 bilhões, ou seja, redução de 63%. Esses dados foram apresentados pelo Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia do ANDES-SN.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) prevê para o CNPq, nesse ano, 785 milhões para bolsas e 127 milhões para fomento, totalizando 912 milhões. Em entrevista recente ao Jornal da USP, o novo presidente do CNPq, João Luiz Filgueiras de Azevedo, afirmou que agência conta com um rombo de 300 milhões, e que deveria ter recebido, no mínimo, 1,2 bilhão para dar conta dos compromissos já assumidos. “Não existe plano B. Não temos como fechar as contas sem mais grana neste ano; isso é um fato.” Em poucas palavras, a pesquisa no Brasil pode entrar em colapso.

Para piorar a situação, em 29 de março, o Diário Oficial da União  publicou o decreto 9741, que contingenciou 29,582 bilhões, de modo a afetar o MEC em 5,839 bilhões e o MCTIC em 2,158 bilhões. Este ministério teve o congelamento de 42,2% de suas despesas.

Também na semana passada, o portal da UFMG publicou a decisão da CAPES de finalizar o Programa de Demandas Espontâneas e Induzidas (PDES), que atingia projetos na área da educação, tecnologia e inovação. Essa bolsa específica possuía menos entraves burocráticos para a sua liberação, de modo a acelerar o desenvolvimento de projetos.

Em síntese, as políticas neoliberais de desmonte do Estado supostamente em nome do “equilíbrio das contas públicas”, na prática, abalam pilares básicos do desenvolvimento nacional, como a pesquisa, a ciência e a tecnologia. Operar tamanha desfaçatez para manter o bom humor do mercado financeiro e os recordes de lucros dos bancos não pode ser outra questão que crime contra a soberania. Lamentavelmente, esse cenário é semelhante em quase todas as frentes dos setores públicos. Mais do que nunca, não podemos permitir tamanho retrocesso!

Ivan Valente

Deputado Federal PSOL SP

 

 

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